A CIDADE EM QUE CHOVE TODO DIA: BELÉM, PARÁ, BRASIL. E MUITA COMIDA.

Gente, como toda dieta, a minha tem suas escapulidas. Rs. Então vamos sair da dieta um pouquinho porque eu sinto que vocês gostam mesmo é de gordices! #safados

Eu nasci no Rio, mas minha família toda é do Pará e eu tenho “mil” tios, tias e primos. Assim sendo, sempre tenho uma festa 15 anos, casamento ou formatura como pretexto pra visitar esse Estado que eu amo! Ótimas lembranças adolescentes de lá.

Nas férias, sempre íamos pra Salinas, que é a “Búzios” de lá, onde ocorre todo o burburinho e pra onde a cidade de Belém inteira migra nas épocas de recesso, principalmente em julho, que é quando faz calor por lá! (É quase no hemisfério norte! Acho muito curiosa essa inversão de climas dentro do Brasil).

Mas, na maioria das vezes, vou só pra esses eventos de família e fico estacionada em Belém mesmo. Que, pra mim, já tem sua mágica. Imagina uma cidade em que cai uma chuva gostosa, quente e gorda, todo dia lá pelas 17 hs? Acho muito gostosa e reconfortante essa hora. Os programas informais lá não têm hora. Ficam sempre pra depois da chuva.

Coisa de clima equatorial, que garante muitas sombras e árvores verde escuras e frondosas pra amenizar o calor.

Bom, apresentados à região, vamos falar da comida, que é o que interessa no post de hoje. E o que tem de melhor lá. E no Brasil inteiro. Sem medo de parecer pretensiosa ou querer puxar sardinha para os meus amados, animados, calorosos e festejantes primos, tios e avós. Haha. Já puxei, claro.

Então, é tanta comida lá, que nem sei por onde começar, mas acho que vou iniciar pelos nomes esquisitos que citei no instagram agora nesta última viagem que fiz pra formatura da minha prima linda Geórgia (obs.: gente, as formaturas lá são um show à parte! Todas as formandas de vermelho, com coreografia etc. Muito legal! Amei! O povo é de fato muito animado e festeiro! E há nichos da sociedade paraense que não têm nada de brega, ao contrário do estereótipo popular.)

Bom, vou começar explicando o que comi dessa vez nos 2 restaurantes que eu fui lá do Chef local Thiago Castanho: O Remanso do Bosque e o Remanso do Peixe.

No Remanso do Bosque:

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Então a primeira foto era um bolinho de peixe (não me lembro qual agora, mas provavelmente de Rio. A região norte é toda banhada de Rio e os peixes de lá são incríveis, geralmente carnudos e sem espinha!) – esse molhinho provavelmente era de Tucupi e Jambú (ÊEE Chute! Rs) – mas é que muita coisa lá leva esses 2 ingredientes sensacionais e eu precisava de uma desculpa pra falar deles aqui! Rs:

Jambú (não tem esse acento no u, gente, mas estou escrevendo assim pra vcs saberem como fala!)- É uma planta verde escura, conhecida por adormecer levemente os lábios. Mas usada em poucas quantidades eu acho esse efeito quase imperceptível! Amo o gosto da folha mesmo! E vai bem em vários pratos e molhos! Ela é anestésica, diurética, digestiva, sialagoga, antiasmática e antiescorbútica. Os seus capítulos possuem propriedades odontálgicas e antiescorbúticas.

Tucupi – “é o sumo amarelo extraído da raiz da mandioca brava1 quando descascada, ralada e espremida (tradicionalmente usando-se um tipiti). Depois de extraído, o caldo “descansa” para que o amido (goma) se separe do líquido (tucupi). Inicialmente venenoso devido à presença do ácido cianídrico, o líquido é cozido (processo que elimina o veneno) e fermentado de 3 a 5 dias para, então, ser usado como molho na culinária.2 O amido, também chamado polvilho é separado do líquido e lavado e decantado em diversas águas. Após ser seco, é esquentado no forno, formando grânulos, a chamada tapioca.3

Pois é, muita coisa de lá vem da própria mandioca! Incrível né?

E falando na tapioca, esses dadinhos do lado direito eram de farinha de tapioca! O povo come lá isso com açaí! E quando hidratada, a tapioca vira tipo um sagú! Bem molinho! É por isso que dá pra fazer, sorvete, pudim, bolo etc. O bolo de tapioca, depois de pronto fica parecendo que levou gelatina, tem uma textura fofinha incrível!! Uma delícia!!

Mas o show do restaurante pra mim é esse filhote da foto de baixo. Parece pequeno na foto! Mas dividi com a minha irmã e a minha prima e saímos satisfeitas! O acompanhamento era aipim e esse feijãozinho branco. Mas pedimos uma farofa pra acompanhar, claro. Porque Pará sem farofa não dá! Peixe com farofa é o que tem de mais típico lá!!

Filhote – É um peixe gente!!! E não necessariamente é um “filhote” propriamente dito! Rs. Na verdade ele é enooorme!!! O outro nome dele é Piraíba. É um peixe de couro, escuro, cabeça grande e olhos pequenos. Pode pesar até 300kg e medir cerca de 2 metros. O dorso pode chegar a mais de 30cm. Os peixes pesando até 60kg são conhecidos como filhote.

A sobremesa era chocolate com cupuaçu!

Cupuaçu – É uma fruta azedinha e doce ao mesmo tempo! Delícia!!! Tem sorvete de Cupuaçu; Torta de Cupuaçu (amo!); Cupuaçu com queijo; Cupuaçu de todo jeito!

No Remanso do Peixe:

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No Remanso do peixe foi vez da Pescada Amarela!! Outro peixe que eu AMO de lá! Acho que é o meu preferido!!

Pescada Amarela – É um peixe enooorme e carnudo tbm! Uma vez vi inteiro no mercado regional do Ver-o-Peso e fiquei chocada!

O pudim da foto ao lado era o famoso pudim de tapioca com calda de cumaru.

Cumaru – esse eu nunca tinha provado. Acho que é menos usual lá. Ou usam pouco na minha família. Rs. Pelo que eu entendi, é uma árvore frutífera, da qual se usam o fruto e as sementes.

Outras gordices que comi nessa viagem:

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Sorvete de Tapioca + Sorvete de Açaí.

Não adianta gente, nem a Bacio di Latte faz um sorvete de tapioca igual. Eu nem peço mais sorvete de tapioca nessas sorveterias do sudeste porque é frustração na certa. E olha que eu já tentei muito! Rs. É algo que pra conhecer mesmo vc tem viajar pra lá, ou pedir pra alguém trazer! OOOOu vir na minha casa comer, porque a gente sempre traz o legítimo!! hahaha Mas é verdade todo mundo que vem na minha casa, ou come esse sorte em alguma festa da minha família comenta. É o melhor e super diferenciado. Não tem igual. As marcas mais conhecidas de lá são a Cairu e o Ice Bode (O Ice bode é do ex marido da dona da Cairu! Portanto, é igualzinho! Hoje eles são concorrentes). Mas já comi até na sorveteria do aeroporto de Belém e era mara! Acho que o segredo é fazer lá!

Sobre o açaí, acho que não preciso dizer que o de lá também é O legítimo né? Bem mais grosso e tal! E o povo come sem guaraná, que é o que torna o açaí do Sudeste muito calórico! Dizem que 100g do açaí sem guaraná tem no máaaximo 100 Kcal, ou seja, a mesma quantidade de calorias de uma fruta normal. Mas o gosto é bem terroso e diferente pra quem nunca provou! O povo come lá com bastante açúcar ou adoçante, ou em forma de sorvete! Exceto a minha vó e esse povo “roots”que conseguem comer a fruta totalmente pura mesmo! Mas é que nem comida japonesa, gente. Tudo questão de costume!

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Essaa cerveja regional também é legal de experimentar, mas já vi vendendo em vários lugares aqui pela região sudeste. Algumas são misturadas com sabores de frutas da Amazônia! Achei todas sensacionais!

Bom, as próximas fotos eu peguei da internet, só pra tornar o post mais completo. E não peguei os créditos. (ops). dos seguintes pratos típicos. Se o dono das fotos ler isso, me avisa que eu dou os créditos!!

Dessa vez não comi nenhum dos 3 próximos pratos típicos, mas já os comi muito na vida!!!

1Pato no Tucupi – É nada mais nada menos que pato com aquele molho amarelo de tucupi que eu expliquei acima e o famoso jambu! Delícia Master.

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2Maniçoba!!! (Escrevo com muitas exclamações porque eu piro nesse prato!). É uma espécie de feijoada (com todas as carnes e acompanhamentos de uma feijoada tradicional) só que ao invés do feijão, é feita com a Maniva e o seu caldo! Ela tem esse aspecto meio verde musgo, e alguns visitantes têm preconceito com a aparência dela! Mas vai por mim, gente, o sabor dessa erva é surreal! A Maniva nada mais é do que a folha da mandioca! (não disse que tudo vinha da mandioca?). Ela é venonosa se comida crua e precisa de 4 a 7 dias de cozimento pra deixar de ser tóxica! Dá uma trabalheira, mas é um prato muito comum e muito servido nas casas dos belenenses! Se tiverem oportunidade experimentem e me digam o que acharam!

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3 – Tacacá – esse é o que eu menos gosto. Mas o povo ama! É jambu (muito jambu! Esse arde e tremelica bastante a boca!), tucupi, camarão seco e goma de tapioca! Tem gente que pede sem a goma pra ficar mais light! É costume comer no fim da tarde, na hora da chuva, debaixo das barraquinhas, na saída dos colégios. É uma cena muito poética e linda, gente! Acho Belém uma cidade cheia de magia e encantos. Tentem não passar por essa vida sem conhecer a cidade! Vale a pena!

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E escrevo pra vcs deliciando o meu açaí com água filtrada tipicamente paraense com farinha de tapioca que a gente traz aos litros de lá!

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Espero que tenham gostado! Foi bem cultural esse post né, gente?! Ufa!

Abraços e beijos calorosos em vocês. Que nem os dos paraenses.

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4 respostas em “A CIDADE EM QUE CHOVE TODO DIA: BELÉM, PARÁ, BRASIL. E MUITA COMIDA.

  1. Bem fiel à realidade seu post, prima!! Muito bom ver Belém pelos olhos de quem não mora aqui, porque todas essas comidas são tão normais para a gente que muitas vezes não damos o devido valor!! Vamos marcar para ir ao Marajó e Santarém, acho que vocês vão gostar também. Beijinhos, to roxa de saudade já!!

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