OSCAR 2015: GAROTA EXEMPLAR

Destacado

1 Indicação: melhor atriz (Rosamund Pike)

Mordomos, perdi um pouco o timing de falar desse filme porque ele já saiu de cartaz, mas está no NET NOW e quem ainda não viu, TEM QUE VER!

É Baseado no livro “Garota Exemplar”, escrito por Gillian Flynn, que também assina o roteiro do filme. Dizem que ela escreve surpreendentemente bem, o que garante alguns bons diálogos ao filme, principalmente os do final. O Filme é do famoso diretor David Fincher e Reese Whiterspoon foi uma das produtoras.

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Eu estava em uma época meio aficionada por personagens (mulheres) fortes, desde que uma amiga minha me mandou assistir a série House Of Cards, para eu ver como a esposa do personagem principal era forte e mantinha o homem dela “comendo em suas mãos” (é feio dizer isso?) apesar de tudo. Haha. Conselhos que as amigas dão nessas noites de conversas de fossa e filosofia sobre homens. Abafa.

Foi essa mesma amiga que me disse pra ver “Garota Exemplar”. O título me pareceu bobo à primeira vista, mas ela me garantiu que não era. E, à segunda análise, já consegui perceber algo bem mais atrativo nele.

Quem não quer ser uma “garota exemplar”? Sem clichês, gente, óbvio. Até porque hoje em dia os anti-heróis é que estão com tudo. Mas toda garota já quis ser, em algum momento da vida, uma mulher dessas infalíveis, que consegue tudo o que quer. “Exemplar”.

O problema é que geralmente essas mulheres são um tanto manipuladoras e calculistas, o que faz com que a maioria de nós não consiga ser que nem elas (graças a Deus, eu acho, né?). Mas que gostamos de aprender algumas coisinhas, ah, gostamos! Quer dizer, pelo menos eu gosto. Quem nunca? Atire a primeira pedra!

E é assim que é a personagem Amy Dunne (Rosamund Pike), que segundo aqueles que leram o livro, obviamente, tem sua psique muito melhor retratada na versão literária.

A sinopse é a seguinte: ela desaparece no dia do seu aniversário de casamento, deixando o marido Nick (Ben Affleck) em apuros. Ele começa a agir descontroladamente, abusando das mentiras, e se torna o suspeito número um da polícia. Com o apoio da sua irmã gêmea, Margo (Carrie Coon), Nick tenta provar a sua inocência e, ao mesmo tempo, procura descobrir o que aconteceu com Amy.

O pano de fundo e razão do título do filme é o livro didático que os pais de Amy, psicólogos, escreveram para distribuição nas escolas dos Estados Unidos, “inspirado” nela: “Amazing Amy”. O Livro, usado em todas as escolas, como forma de educar e ensinar condutas sociais adequadas, fez com que os pais da filha única Amy enriquecessem e ela se tornasse relativamente conhecida. Porém, com o estigma de sempre ter de ser comparada à personagem do Livro.

Achei o filme instigante, aflitivo e surpreendente até o final! É um ótimo SUSPENSE!

A partir daqui, talvez o que vá escrever seja um pouco ######‪#‎SPOILER######### então cuidado! Essa parte é boa pra quem já assistiu ao filme ou leu o livro discutir comigo! Heheh! (Adoro!) – [Comentem, por favor!! Estou sentindo muita falta de comentários nesses posts dos filmes! – desabafo]

É mais uma história de psicopatia daquelas que a gente ama!! Mas a minha amiga Rebeca, que leu o livro, diz que o livro é – como quase sempre – mil vezes melhor! Que você nem chega a ter tanta raiva da personagem principal porque a psicologia dela é trabalhada de uma forma muito mais detalhada, assim como a dos outros personagens. Isso, além do fato de a raiva de Amy ser construída dentro de uma linha evolutiva verossímil, o que nos faz compreendê-la melhor. Parece que, no Livro, um capítulo é o diário de Amy e o outro a versão contada pelo marido Nick, e você vai tirando suas conclusões até que as histórias se cruzam.

Além disso, o Livro explica melhor o fantasma do Livro didático criado pelos pais, já que a Amy do livro era de fato perfeita, com uma conduta sempre irretocável, irrepreensível,  a qual os alunos deveriam seguir, o que, obviamente criava uma exigência e patamar cruéis a serem alçados pela menina.

Li uma crítica interessante pela internet, que dizia que tudo o que Amy faz no filme, ela o faz para se encontrar, para encontrar a real Amy e criar uma vida emocionante de verdade pra ela. É sútil, mas é possível inferir no filme a alegria da personagem ao se tornar a protagonista real de um escândalo verdadeiro criado por ela. Achei legal porque faz sentido. É uma boa análise psicológica da personagem.

Muita gente fica possessa com o final e passa a odiar o filme por causa dele, mas eu amei o filme justamente por causa do final! O filme é uma ficção, mas o ser humano é exatamente assim na vida real, gente: louco e sem coerência alguma.

Como diria Woody Allen, os relacionamentos são insanos, mas continuamos dentro deles, porque precisamos deles.

Amamos o improvável. É assim que somos.

E sobre isso eu só tenho uma coisa a dizer a vocês: “That’s marriage” (!) (Rs.) – Quem viu o filme entenderá.

Bom, tudo isso pra dizer a vocês que recomendo a história! Seja pelo livro ou pelo filme!

Não deixem passar essa!

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OSCAR 2015: O JOGO DA IMITAÇÃO

Destacado

São 8 indicações ao Oscar! Vamos lá: 1 – melhor filme, 2 – melhor ator (Benedict Cumbertatch), 3 – melhor diretor (Morten Tyldum), 4 – melhor atriz coadjuvante (Keira Knightley), 5 – melhor roteiro adaptado (Graham Moore – estreante! ), 6 – melhor edição (William Goldenberg), 7 – melhor trilha sonora (Alexandre Desplat  – o mesmo que fez a trilha de “O grande Hotel Budapeste”) e 8 – melhor design de produção.

Filmes baseados em fatos reais já saem com uma vantagem na largada, né? E a gente ama! Acho que acabamos nos envolvendo mais sabendo que aquilo aconteceu de fato. A ficção só imita a vida real. Mas não tem jeito, os fatos verídicos são a obra prima mesmo e é impressionante a quantidade de histórias ricas, profundas e emocionantes que existem por aí e jamais foram contadas.

É bem o caso de O JOGO DA IMITAÇÃO. Uma história-que-mudou-a-HISTÓRIA e ficou escondida por mais de 50 anos como um segredo de Estado.

O filme é do famoso diretor norueguês Moten Tyldum, que estreia seu primeiro filme na língua inglesa, para retratar o que se passou (mais uma vez) durante a Segunda Guerra Mundial (eu tenho zero preconceito, gente! Muitas pessoas já estão enfadadas desse tema, mas aconteceu tanta coisa, em tantos países, nesses 6 anos de guerra, que os detalhes são capazes de criar dezenas de filmes com focos muito diferentes uns dos outros!). Dessa vez o cenário é a Inglaterra e a guerra em si é um fator secundário. A intenção central foi contar, em forma de drama, a biografia do matemático Alan Turing.

Nessa época, o governo britânico montou uma equipe que tinha por objetivo quebrar o Enigma – o famoso código que os alemães usavam para enviar mensagens aos submarinos de guerra e comandar seus ataques. Um dos integrantes da equipe foi justamente Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático de apenas 27 anos estritamente lógico e focado no trabalho, com pouca habilidade social e consequentes problemas de relacionamento com praticamente todos à sua volta. Não demora muito para que o brilhante Turing, apesar de sua intransigência, conquiste o lugar de liderança da equipe, com o aval do próprio 1o Ministro Churchil. O grande projeto de Turing era construir uma máquina que permitisse analisar todas as possibilidades de codificação do Enigma em apenas algumas horas, de forma que os ingleses pudessem conhecer as ordens enviadas pelos alemães antes que elas fossem executadas. Entretanto, para que o projeto dê certo, Turing terá que aprender a trabalhar em equipe e tem Joan Clarke (Keira Knightley) como sua grande aliada e incentivadora.

Graham Moore, que assina o roteiro, sonhava em escrever sobre a vida de Turing desde os seus 14 anos.

O ator escolhido para o papel do lendário personagem foi Benedict Cumberbatch. E não é à toa que foi indicado à categoria de melhor ator. Ele simplesmente arrasa. Praticamente carrega o filme nas costas, sem desmerecer os outros. Mas é inegável que ele se destaca completamente. Cumberbatch é parente distante de Turing na vida real e confessou que em uma das cenas finais do filme não conseguia parar de chorar, chegando a ter um colapso, por, em suas palavras, “ser um ator ou uma pessoa que cresceu incrivelmente apaixonada pelo personagem e pensando o que ele tinha sofrido e como isso tinha lhe afetado.”

INFELIZMENTE NÃO POSSO DAR SPOILER DESSE FILME, mas ao longo do filme os problemas da vida pessoal de Turing vão se revelando, o que torna o filme muito mais interessante! (filmes com contornos psicológicos sempre ganham pontos comigo!)

Posso só dar uma pista?

Tem a ver com o nome que ele dá para sua máquina decifradora do Enigma!

As curiosidades mais legais que pesquisei sobre o filme são:

1 – Alex Lawther, que interpreta o jovem Turing, e Benedict Cumberbatch tiveram que usar cada um, próteses desgastadas no filme, que eram cópias exatas dos dentes falsos de Alan Turing por 60 anos.

2 – O site oficial do filme theimitationgamemovie.com permite que os visitantes desbloqueiem conteúdo exclusivo ao resolver palavras cruzadas concebidas por Turing em sua vida. (haha adoro esses desafios, mas ainda não tentei! Devem ser um bom passatempo, muito melhor que jogar candy crush!)

Segue o Trailer pra vocês 😉

OSCAR 2015: INVENCÍVEL (UNBROKEN)

Destacado

3 indicações: fotografia, edição de som, mixagem de som

A diretora ANGELINA JOLIE está bolada que não foi indicado a Melhor Filme e eu também!

O filme é baseado no livro homônimo e best-seller de 500 páginas da Laura Hillenbrand e conta a história verídica de Louie Zamperini, um filho de imigrantes italianos e corredor olímpico que, que depois de ter um acidente com seu avião de guerra e ficar 47 dias à deriva com 2 amigos, em mar aberto, é capturado pelos japoneses na Segunda Guerra Mundial.

Achei Jack O’Connell, escolhido para ser o protagonista, incrível, irretocável, apesar de haver quem o tenha criticado.

Em relação às críticas que li, concordo apenas que o ator que interpreta o carrasco e algoz japonês de Zamperini, Takamasa Ishihara (personagem Watanabe) deixou a desejar.

Ainda em relação aos críticos que ficaram insatisfeitos em razão de o filme não contar fatos relevantes do Livro, bom, eu não entendo de cinema, mas acho que deve ser difícil mesmo condensar 500 páginas de uma história riquíssima em alguns minutos de filme.

E, pra mim, foi daqueles que assim que acabam você corre pro Google pra saber mais. E mais. Ao contrário do que muitos possam pensar, não é mais um filme de guerra, é um filme de superação pessoal, redenção e perdão. Achei lindo, tocante, emocionante. Até dos clichês: “um minuto de dor, para uma vida de glória”, eu gostei. Rs.

**SPOILER ALERT**

A história real e completa da vida de Zamperini é de arrepiar, mas Angelina preferiu concentrar-se nos anos de guerra. Tal como aparece no trailer, em determinado momento, o personagem principal decide entregar sua vida à Cristo, o que se concretiza alguns anos depois guerra, ajudando-o a superar todos os choques pós traumáticos em razão da guerra. Angelina parece ter optado por não destrinchar essa parte da história pra não cair na polêmica do conteúdo religioso, o que talvez tenha feito sabiamente, e apenas enunciou a questão objetivamente.

Pesquisando sobre a vida do Atleta achei os seguintes trechos sobre a história real nesse site português.

Segue trecho:

“Louis Silvie Zamperini nasceu em 1914 em Olean, estado de Nova Iorque, filho de imigrantes – o pai, italiano; a mãe, austro-italiana. Ainda muito novo, mudou-se com a família para a Califórnia, onde se instalaram na cidade de Torrance. Para se defender das constantes provocações de que era alvo na escola devido à sua condição de filho de imigrantes, o pai iniciou-o nos segredos do boxe. Abriu, sem querer, uma caixa de Pandora que quase levaria Louie à prisão.

Depois do primeiro soco, o miúdo de apelido e sotaque italiano deixou-se inebriar pela sensação de poder que lhe dava a violência. Ele que já era um artista dos pequenos furtos (muitos deles, reconheça-se, apenas para pregar partidas), tornou-se num rufião. Saía de casa, roubava, batia. “Tive a sorte de ter um irmão [mais velho] que me apontou o caminho. Sem ele, acho que nunca teria conseguido fugir à vida que levava. Acho que nunca teria sido ninguém na vida.”

Um dia, o irmão Pete pegou em Louie e levou-o até um sítio onde estavam “uns tipos a trabalhar ao sol, a darem cabo do físico por meia dúzia de tostões”. Louie relembra este episódio como uma das poucas coisas que realmente o assustaram na vida. “O Pete disse-me que um dia eu me juntaria a eles; que, se não mudasse de vida, ia ser um inútil.” Foi então que surgiu o atletismo. Pete corria, Louie – que nesse dia tivera a sua primeira grande revelação – seguiu-lhe as pisadas e a sua vida mudou para sempre. “Nessa noite, fiquei acordado durante horas. Decidi que iria ser atleta. Tinha de ter um futuro!”

E começou a correr. Bom, correr era coisa que ele sempre tinha feito, quanto mais não fosse para se escapar rapidamente, e indetectado, das cenas que armava… Só que os treinos eram diferentes. Doíam. “O meu irmão dizia-me sempre: “A última volta é a sofrer, mas é um minuto de dor para uma vida de glória!”” Custou, ao princípio. Até que um dia Louie ouviu o seu nome gritado das bancadas. E gostou. A partir daí, soube que a recompensa valia o sacrifício.

[….]

 Mais do que qualquer outro episódio, este marcou a vida de Louie. Depois da guerra, o veterano Zamperini continuou a reviver, em pesadelos, noite após noite, aquele momento. Vivia afogado pelo ódio, bebia cada vez mais, arquitectava planos para regressar ao Japão e matar Watanabe. Casara-se e tinha uma filha, mas a família começou a desagregar-se. A guerra acabara cá fora, mas não na sua cabeça.

E então veio a segunda revelação. Um dia, arrastado pela mulher, Cynthia (que conhecera em Março de 1946), Louie foi assistir a um sermão do pregador evangelista Billy Graham. De repente, nesse dia de Outubro de 1949, tudo fez sentido. “Acredito que Deus tinha um plano para a minha vida. Olhando para tudo o que me aconteceu… Acho que só percebi quando ouvi Billy Graham, foi então que percebi que tinha sobrevivido por alguma razão. Percebi que Deus queria que eu fizesse alguma coisa e comecei a fazê-lo.”

De um momento para o outro, Louie percebeu que estava em paz. “Dei-me conta de que tinha perdoado a todos os meus antigos guardas, ao Pássaro, toda a gente. Era toda uma nova vida e tenho-a seguido desde então. A guerra quase me destruiu, tinha pesadelos todas as noites… depois de ter chegado a Cristo, nunca mais tive pesadelos”, conta. Reencontrou os guardas (excepto Watanabe, que recusou vê-lo) quando foi convidado para transportar a tocha olímpica dos Jogos Olímpicos de Inverno em Nagano (1998). “Foi um momento muito emotivo. As pessoas, o cenário, tudo tão belo e gracioso, foi o dia mais feliz da minha vida…”

O entrevistador aponta que uma de suas marcas é o bom humor, ele ria e fazia piadas a toda hora durante a entrevista. “Sempre achei que o bom humor é tudo. Toda a minha achei. Tentei sempre manter o espírito, o sentido de humor, até quando estava no hospital, no campo de concentração. Acho que estar bem-disposto e ter uma boa atitude é o segredo para uma boa saúde e longevidade. O humor faz bem ao nosso sistema imunitário. A Bíblia diz que devemos ter sempre uma atitude positiva, alegre. E sempre fiz isso.”- afirmou ele em certo momento da entrevista.

Zamperini só conseguia ler um capítulo do Livro por dia, porque se emocionava demais. Nas palestras, prefere não ver o vídeo que antecede a sua intervenção, pelo mesmo motivo. Ele ofereceu uma de suas medalhas de condecoração militar à escritora de sua biografia, Laura Hillenbrand, depois de saber que ela sofria de fadiga crônica há 25/30 anos, por achar que ela a merecia mais do que ele.      

OSCAR 2015: BOYHOOD, DA INFÂNCIA À JUVENTUDE

Destacado

Ia deixar pra escrever sobre esse Filme mais pra frente, mas o filme me incomodou tanto que ontem à noite praticamente não consegui dormir tentando justificar a mim mesma pela péssima impressão que tive de um filme aclamado por tanta gente, e mais, que concorre à categoria de Melhor Filme do ano pela Academia, incluindo melhor roteiro; melhor montagem; melhores ator e atriz coadjuvantes – Ethan Hawke e Patricia Arquette; melhor diretor – Richard Linklater – o mesmo da trilogia Antes do Amanhecer (1995), Antes do Pôr-do-Sol (2004) e Antes da Meia-Noite (2013);  e melhor roteiro original.

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O escritor americano Stephen King, responsável pela Obra “À Espera de Um Milagre”, que deu origem ao filme homônimo, já dizia: “Interesso-me por pessoas boas em situações ruins, pessoas comuns em situações extraordinárias.” Em Boyhood, não acontece nem um nem outro. Nem pessoas destacáveis ou especiais, nem situações extraordinárias. Talvez esta tenha sido a intenção do diretor Richard Linklater quando optou pela trivialidade de contar a história de um casal de pais divorciados (Ethan Hawke e Patricia Arquette) que tenta criar seu filho Mason (Ellar Coltrane).

Sua ideia era montar uma narrativa fictícia que percorresse a vida de um menino durante um período de doze anos, da infância à juventude, analisando a sua relação com os pais conforme ele fosse amadurecendo. O filme foi rodado ao longe de reais 12 anos, em segredo,  Todo ano, o diretor reunia a equipe por alguns dias e filmava algumas cenas. O processo começou em 2002, com o filme ficando pronto em 2014. Foram 45 dias de filmagens no total. A ideia é genial e é de fato interessante perceber o crescimento dos personagens diante dos nossos olhos, de forma extremamente sutil, já que não há nenhum aviso sobre as passagens de tempo, num espaço de 3 horas. Algumas curiosidades interessantes sobre o filme são:

1 – o fato de que a personagem Samantha (Lorelei Linklater), que faz a irmã do personagem principal, Mason, é filha do diretor, e apesar dela ser boa atriz e ser uma das personagens com mais luz própria em todo o filme, a escolha dela tornou os laços biológicos muito inverossímeis, já que ela não tem nada a ver fisicamente com os demais membros da família. No meio das filmagens ela queria desistir do filme e pediu para seu pai inventar um acidente que a matasse, mas o diretor não concordou e ela teve de prosseguir (adolescentes! Rs.)

2 – o artista de rua que aparece tocando violão no filme é o pai de Ellar Coltrane, Bruce Salmon.

Bem, palmas para a ideia. Palmas para o comprometimento do diretor e dos atores, que são de fato todos muito bons. Ok. Mas e a história?

A produção do filme tinha como escopo uma ficção, não um documentário. E como é o propósito de toda ficção, eu procurava momentos de entretenimento. Emoção. Admiração. Inspiração. Reflexão. Uma sacudida que fosse. Um puxão de orelha. Até uma lição de moral clichê tava valendo. Qualquer dessas coisas.

Não tive nada disso. Nem catarse eu tive. Foram momentos de história rasa e entediante.

Explico. Ou tento.

E Volto à frase do Stephen King lá de cima. Gostaria de ver algo inusitado. Mas achei o enredo tão sacal quanto a reação e o comportamento dos personagens diante daquela vida morna. Que a vida é dura todos nós sabemos. Mas vivo sob a perspectiva de tentar fazer sempre do limão uma limonada. Uma caipirinha. Um capisakê. Um picolé. Qualquer coisa que torne a vida menos azeda. A tarefa é nossa. A responsabilidade é nossa. O que me entretém e me faz entrar em transe tanto na vida como no mundo da ficção é me deparar com pessoas coloridas, criativas e iluminadas, que mantêm a presença de espírito apesar das circunstâncias. Eu sei que às vezes é difícil, e não queria ser muito dura na crítica ao filme, pois toda arte (ou quase toda) tem seu valor. Mas é a gente que pinta a vida. É o nosso olhar que muda o entorno. “Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será bom” – tá na Bíblia. Rs. Fui criada assim e isso pra mim é básico.

Falando em bom, chega de filosofia e de lições de moral que podem parecer pretensiosas.O fato é que eu senti muita falta desse “olhar” na trama.

**SPOILER ALERT**

A mãe Olivia (Patricia Arquete) e o filho Mason (Ellar Coltrane) eram – ou se tornaram – pessoas sombrias. A melancolia da personagem Olivia desde, e, principalmente, no início do filme, me irritou e me contaminou. A vida não precisava ser daquele jeito. Ela era guerreira e uma mãe dedicada? Era. Mas se casou com pessoas sacais e tão sem brilho quanto ela, que em nada a acrescentaram. Assim como não acrescentaram a mim, expectadora. Ela tava tentando acertar? Claro que tava. Como todos nós na vida. Mas tenho o palpite de que ela teria sido mais feliz se tivesse tido paciência pra lidar com a imaturidade do marido e pai dos seus filhos – que eu acho que era quem ela realmente amava – para o ver chegar, ao lado dela, ao estado de espírito e evolução que o vemos chegar ao final do filme. Ela pelo menos teria feito algo mais profundo por ela mesma, o que talvez evitasse a frase triste, vazia e desesperançosa que ela diz, aos prantos, no final.

Bom, sei que é difícil julgar uma personagem extremamente madura e altruísta, que abdicou muitas vezes da própria vida pra tentar dar o melhor aos filhos (clichês da vida real). E sei que “e ses..” não levam a nada. A vida é mesmo cheia deles. Fazemos escolhas. Assim como foram feitas escolhas no filme. Mas sabe quando você tem impresão de que até se fosse sua melhor amiga contando essa história você ficaria entendiada? Digo, nem sei se sua melhor amiga contaria essa história pra alguém, porque não tem nada demais. É uma vida vazia e sem propósito, sem brilho. Então, porque levá-la ao cinema? Fazê-la dela um filme?

Não estou dizendo que só gosto de finais felizes ou algo do gênero. Aprecio muito filmes trágicos, dramáticos e pessimistas também. Mas Boyhood não foi trágico. Não foi dramático. Foi apenas insosso, sem brilho. Achei pessimista – na perspectiva da mãe – que foi a que mais me chamou a atenção – não na dos filhos talvez, que ainda tinham um monte de vida pela frente. Só que não era um pessimismo satírico e humorístico como Woody Allen sabe fazer como ninguém. Talvez o enredo pudesse ser exatamente como foi, mas com um roteiro e diálogos em que os personagens rissem de si mesmos. O famoso “não se levar tão a sério”. Isso é fundamental pra vida, gente. Ou que pelo menos a gente pudesse rir deles.

Talvez a trilha sonora também pudesse ter sido mais emocionante, mais tocante, não sei, qualquer coisa que tirasse a monotonia do filme.

Estou tentando encontrar o erro, sabe? O defeito? Jogo dos setes erros? Porque realmente saí pesada do cinema. Pior que pesada, vazia. Desesperançosa. Com preguiça de envelhecer. Com preguiça do futuro. E esse, obviamente, não é o objetivo quando a gente vai ao cinema.

Foi uma sensação de: “cara, se a vida for isso, me tira daqui urgente que eu quero descer!” Haha

Só estou mais feliz agora porque pude escrever aqui e desabafar com vocês.

Alguém me entende? Me apoia? Discorda? Qualquer coisa que me faça tirar o peso que o filme me trouxe?

OSCAR 2015: A BOA MENTIRA

Destacado

Gente, essa é uma pegadinha porque esse filme, pelo que eu pesquisei, não está concorrendo a nenhuma categoria do OSCAR 2015 – o que eu acho uma tremenda INJUSTIÇA!

Resolvi falar dele aqui pra vocês porque talvez o meu Oscar desse ano fosse pra ele.

Esse é o filme que eu tenho perturbado toda a minha a família, amigos e conhecidos pra ver – toda santa vez que encontro. Rs.Tô até meio chata por causa dele. Mas é que me tocou muito, gente.

O Filme todo tangencia o conteúdo do seguinte provérbio africano:

“Se quer ir depressa, vá sozinho. Se quer ir longe, vá acompanhado.” ❤

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Baseado em fatos reais, o filme conta a história dos MENINOS PERDIDOS DO SUDÃO, na perspectiva de irmãos que perdem o pai e a mãe numa guerra civil e precisam viajar milhares de quilômetros a pé (e descalços!) até o Quênia, em busca de “vida”. O filme mostra o choque entre a cultura, renda e conhecimento que diferenciam os africanos mais tocantes, puros e amorosos do mundo, da realidade atarefada, impaciente e desconfiada da América. Foi uma lição de vida, que mudou a minha.

“The Good Lie”, em inglês, é o primeiro filme americano do canadense Philippe Falardeau, diretor do premiado O Que Traz Boas Novas. Os produtores do filme contrataram atores sudaneses de fato para a realização do filme. Entre eles, duas antigas crianças-soldados no Sudão: o agora músico de Hip Hop Emmanuel Jal e o modelo Ger Duany.

Após a sofrida jornada em grupo rumo ao Quênia, em que muitos fatos marcantes ocorrem e alguns integrantes se “perdem”, passam-se 13 anos e o filme passa a centrar-se em alguns deles: três homens, Mamere Deng (Arnold Oceng), Jeremiah (Ger Duany) e Paul (musician Emmanuel Jal), e uma mulher, Abital Deng (Kuoth Wiel). Eles são agraciados ao verem seus nomes na aguardada lista do campo de refugiados do Quênia, como uns daqueles que teriam a oportunidade de sair do país e conseguir uma vida melhor nos Estados Unidos. Os 3 homens são acolhidos por uma assistente social, Carrie Davis (Reese Witherspoon), que, concentrada na dinâmica de sua própria vida, na correria e estresses do dia-a-dia americano, pouco conhece sobre o duro passado de cada um. Os 3 homens vão comovendo Carrie e os demais personagens do filme aos poucos, com sua fé cristã, seus valores e sua criação baseada em união, transparência e verdade estrita. Em contrapartida, há, obviamente, uma troca, e eles também aprendem a se portar e a se posicionar no mundo norte-americano, bem como a fazer algumas concessões, como é o caso de uma “boa mentira”. Você entende o que é a tal da “boa mentira” no decorrer do filme, de uma forma linda, profunda, comovente e inspiradora. Depois de assistir ao filme todo você compreende quão apropriado é o título escolhido. (#Segredos pra não dar uma de Spoiler)

O filme é especial porque não só põe à prova nossas consciências sobre a capacidade de termos as atitudes que vários personagens têm ao longo do filme, mas nos faz ter vontade de ser capaz de tê-las. Nos faz admirá-los. Fui tocada profundamente.

Fora que a trilha sonora é de arrepiar. Tô apaixonada pelas musiquinhas com um quê de África do filme. E vou deixá-las aqui pra vcs. Não vou deixar link do trailer porque acho que o trailer não tem nada ver com o filme. Portanto, esqueçam o trailer e confiem em mim! Rs. Depois me contem. O filme está no NET NOW no momento.

A primeira música, talvez minha preferida, conta com a participação do músico sudanês que faz o personagem do Paul! Chegou a entrar na lista da Academia dos indicados a melhor canção do Oscar 2015, mas não-sei-por-que-cargas-d’água não entrou! (discordo da Academia, seja lá quais forem os critérios que a deixaram desclassificada! Rs. Obs.: as categorias de melhor trilha sonora original e melhor canção são consideradas as mais “chatinhas”do Oscar, por terem uma série de requisitos que deixam ótimas canções de lado.)

Acho essa BELA e gostosíssima também:

Neste site aqui você encontra todo o soundtrack do filme (A música “The Story Of My Brothers” eu acho que pega bem a essência do filme na letra também e é fofíssima) e informações sobre a fundação que arrecada fundos para a causa dos Meninos Perdidos do Sudão.

Até o próximo filme minha gente!

OSCAR 2015: LIVRE

Destacado

Queridos, estou muito empolgada para escrever o nosso primeiro post sobre eles que nos inspiram tanto e fazem a gente fugir um pouco das nossas próprias realidades pra dar uma gás pra próxima temporada dela mesma – a nossa nada mole vida. Rs.

Foi então que nessa pegada do Oscar 2015, que tem um monte de FILMÃO indicado, resolvi fazer um post condensando de tudo o que eu já assisti até agora, pois já era muuuito pra ver, falar, comentar e criticar. MASSSSSS ia ficar muito grande, então decidi dividir e publicar um filme por dia essa semana! Uhulll, legal né? Acho que assim vai ser mais divertido. Vamos tentar ir num ritmo bom e matar a maior quantidade de filmes até o Oscar! Afinal, estamos de dieta né, mordomos!? Por enquanto, viveremos de pipoca! 😉

Mas deixo consignado desde já que estou INDIGNADÍSSIMA com a falta de algumas indicações, como por exemplo, a do filme “A BOA MENTIRA”, cuja trilha sonora africaninha eu fiquei viciada – até corro na esteira com as músicas do filme – e é a que me embala e inspira agora para escrever sobre todos os outros. “A BOA MENTIRA”, mesmo não estando no Oscar 2015, será o post de amanhã, pra pegar o gancho da mesma atriz – Reese Whiterspoon. E porque eu recomendo muito. E porque deveria estar no Oscar. #desculpinhas #desculpasdobem #sóporqueeuquerofalardofilme #eéumaboamentira

Mas vamos começar pelo LIVRE, que eu vi ontem e está mais fresco na cabeça:

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Indicações: melhor atriz (Reese Witherspoon) e melhor atriz coadjuvante (Laura Dern)

Beaseado no livro autobiográfico best-seller da norte-americana Cheryl Strayed, conta a história verídica de uma mulher que, após perder, aos 21 anos, a mãe de câncer, vê-se sem chão, passando a levar uma vida desregulada, de sexo banal e drogas, o que a leva a se divorciar de um homem que amava. A partir daí, e depois de mudar o sobrenome (Strayed = exatraviado, desregulado, perdido) aos 26 anos, em busca de uma nova fase e autoconhecimento, sem experiência alguma no esporte, decide se aventurar por uma trilha de 4.200 Km, que inclui toda a costa oeste dos Estados Unidos, da fronteira com o México até o Canadá, conhecida como “Pacific Crest Trail” (PCT).

O filme é cheio das curiosidades “behind the scenes”, como o fato de que a Cheryl da vida real faz uma participação especial no filme, bem no início, desejando, num duplo sentido bem pensado, boa sorte àquela que viveria o seu personagem nos cinemas. A garotinha que faz a personagem de Cheryl quando criança também é a verdadeira filha da autora do livro! Gostaria de ter sabido dessas informações antes do filme, pois não prestei atenção em nada disso e não achei a parte do “good luck” no youtube pra linkar aqui pra vocês.. 😦

Bom, falando de atuação, para uma indicação de melhor atriz pela academia, a primeira cena com a Reese não me convenceu logo de cara, não. Comentei com os amigos que foram assistir comigo no cinema que eu acho que a Reese é uma dessas atrizes com a imagem tão explorada (no Brasil, tenho a mesma impressão da Deborah Secco, que também é maravilhosa), que a gente demora um tempinho pra se desconectar dos outros personagens dela e entrar na história que ela tá tentando contar daquela vez. Em Livre, ou “Wild”em inglês, pra mim a melhor cena dela como atriz é uma das últimas, momentos antes dela chegar ao seu destino final, quando parece que toda emoção que envolve a história da personagem fica condensada em um só momento, ainda que sutil.

Mas uma coisa legal é saber que ela ganhou o papel depois de disputar com  Jennifer LawrenceScarlett Johansson e Emma Watson, o que fez a Reese desistir do também em cartaz “Grandes Olhos” do Tim Burton, por “Livre”. Só soube disso agora também, e….. é, – a imagem dela é explorada porque ela é boa mesmo, e vai te convencendo disso ao longo do filme, junto com a história da personagem, que te envolve e, no desenrolar do filme, faz tudo, toda aquela trilha, todo aquele esforço solitário fazer sentido e ser compreendido. Isso acontece por meio dos flashbacks que que Cheryl tem durante sua trilha de mais de 3 meses. Outra curiosidade é que  o diretor Jean-Marc Vallée fez com que fossem cobertos todos os espelhos para que Reese não pudesse se ver em nenhum momento durante as filmagens.

A trajetória da personagem em sua trilha é uma comovente tentativa de expurgar seu passado, auto redimir-se e encontrar redenção. O fato de ser baseado em fatos reais também ajuda no envolvimento do expectador e faz com que a gente se sensibilize muito mais, claro. Amo filmes de relatos verídicos.

A Reese também produziu o filme “Livre” e está se revelando uma excelente profissional também atrás das cenas, já que também ajudou a dirigir o filme “Garota Exemplar”(filmaço!!), de que falaremos também nos próximos dias!

A Laura Dern, atriz que, apenas 9 anos mais velha que Reese, faz o papel da mãe de Cheryl e concorre ao prêmio de melhor atriz coadjuvante, também se destaca, pela sutileza com que conta o seu drama, pelo brilho no olhar, pela autenticidade com que conta a história de alguém especial, que deixou saudades, e é o motivo do filme acontecer.

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Beijos  e até amanhã! ; )